
Uma visão geral sobre a abordagem de riscos físicos, riscos de transição, oportunidades, emissões e metas
A IFRS S2 trata especificamente das divulgações relacionadas ao clima. Ela deve ser aplicada em conjunto com a IFRS S1 e aprofunda os requisitos para que investidores compreendam como riscos e oportunidades climáticos podem afetar as perspectivas da empresa. Na prática, a IFRS S2 coloca o clima no centro da agenda de reporte financeiro relacionado à sustentabilidade. (IFRS Foundation, 2023b).
Os riscos climáticos costumam ser divididos em dois grandes grupos: riscos físicos e riscos de transição. Os riscos físicos decorrem dos impactos diretos das mudanças climáticas sobre ativos, operações e cadeias de valor. Podem ser agudos, como enchentes, tempestades, secas, incêndios, ondas de calor e eventos extremos, ou crônicos, como aumento médio de temperatura, mudança no regime de chuvas, elevação do nível do mar e escassez hídrica.
Os riscos de transição estão relacionados ao movimento de transformação para uma economia de baixo carbono. Podem envolver novas regulações, precificação de carbono, exigências de clientes e investidores, mudanças tecnológicas, substituição de produtos, alteração de demanda, riscos reputacionais e possível obsolescência de ativos ou modelos de negócio intensivos em emissões.
A IFRS S2 também reconhece oportunidades climáticas. Eficiência de recursos, adoção de energia renovável, desenvolvimento de produtos e serviços de baixo carbono, acesso a novos mercados, financiamentos sustentáveis e fortalecimento da resiliência organizacional são exemplos de temas que podem gerar valor quando conectados à estratégia da empresa.
A Figura 1 ilustra os conceitos de riscos e oportunidades relacionados ao clima, abordados na IFRS S2.

Figura 1 – Ilustração de riscos e oportunidades relacionados ao clima (adaptado de IFRS).
Um dos pontos mais importantes da IFRS S2 é a exigência de divulgação de métricas climáticas. Entre elas estão as emissões brutas absolutas de gases de efeito estufa dos Escopos 1, 2 e 3, medidas em toneladas de CO2 equivalente. A norma exige que a entidade divulgue sua abordagem de mensuração, os dados e premissas utilizados, a justificativa da metodologia e eventuais alterações realizadas. (IFRS Foundation, 2023b; GHG Protocol, 2004).
O Escopo 3 merece atenção especial. Ele envolve emissões indiretas ao longo da cadeia de valor e costuma ser o componente mais complexo do inventário de GEE. Pode incluir fornecedores, transporte, uso de produtos vendidos, investimentos, bens e serviços adquiridos, resíduos, viagens, deslocamento de colaboradores e outras categorias aplicáveis. A IFRS S2 prevê alívio de transição para que a entidade não seja obrigada a divulgar Escopo 3 no primeiro ano de aplicação, mas isso não elimina a necessidade de estruturar a base de dados e o plano de evolução. (IFRS Foundation, 2023b; GHG Protocol, 2011).
Outro requisito relevante é a avaliação de resiliência climática, com uso de análise de cenários. A empresa deve avaliar como sua estratégia e seu modelo de negócios se comportariam diante de diferentes condições climáticas, incluindo mudanças, desenvolvimentos e incertezas. A análise pode ser mais qualitativa ou quantitativa, conforme a exposição da empresa e suas habilidades, capacidades e recursos disponíveis, mas deve ser consistente e baseada em informações razoáveis e comprováveis. (IFRS Foundation, 2023b).
As metas climáticas também precisam ser tratadas com rigor. A IFRS S2 não obriga empresas a estabelecerem metas, mas, se elas existirem ou forem exigidas por lei ou regulamento, devem ser divulgadas com informações suficientes: objetivo, escopo, linha de base, prazo, tipo de meta, gases abrangidos, escopos incluídos, metodologia, uso de créditos de carbono e forma de acompanhamento do progresso. (IFRS Foundation, 2023b).
Na prática, a agenda climática deixa de ser apenas uma pauta ambiental. Ela passa a exigir visão financeira, análise de risco, dados robustos, governança, estratégia de descarbonização e capacidade de demonstrar como o clima pode afetar valor, custos, ativos, investimentos e competitividade. Para muitas empresas, esse será um dos maiores desafios do reporte 2026.
Embora o desafio não seja pequeno, ele pode ser planejado. Sua empresa já sabe onde estão seus principais riscos e oportunidades climáticos? Vamos conversar: clique aqui.
Referências técnicas
IFRS Foundation. IFRS S2 Climate-related Disclosures. 2023b. Disponível em: https://www.ifrs.org/issued-standards/ifrs-sustainability-standards-navigator/ifrs-s2-climate-related-disclosures/
IFRS Foundation. Industry-based Guidance on Implementing IFRS S2 Climate-related Disclosures. 2023. Disponível em: https://www.ifrs.org/issued-standards/ifrs-sustainability-standards-navigator/ifrs-s2-climate-related-disclosures/
GHG Protocol. Corporate Accounting and Reporting Standard. Disponível em: https://ghgprotocol.org/corporate-standard
GHG Protocol. Corporate Value Chain (Scope 3) Accounting and Reporting Standard. 2011. Disponível em: https://ghgprotocol.org/standards/scope-3-standard
