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O que divulgar pelas normas IFRS S1 e S2?

As Normas IFRS S1 e IFRS S2 organizam as divulgações em torno de quatro pilares: governança, estratégia, gestão de riscos, métricas e metas. Essa estrutura não é aleatória. Mais do que um modelo de divulgação, ela representa uma forma estruturada de integrar sustentabilidade à estratégia, à gestão de riscos e à tomada de decisão. Ela foi construída a partir da arquitetura das recomendações do Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD), para permitir que investidores compreendam como a empresa supervisiona, avalia, gerencia e monitora riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade e ao clima. (IFRS Foundation, 2023ª; IFRS Foundation, 2023b). Estes pilares são ilustrados na Figura 1.

Figura 1 – Conteúdo principal das normas IFRS S1 e S2: governança, estratégia, gestão de risco, métricas e metas (adaptado de IFRS).

  • O primeiro pilar é a governança. A empresa precisa divulgar quais órgãos, comitês ou indivíduos são responsáveis por supervisionar riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade. Também deve explicar como a administração acompanha esses temas, com que frequência recebe informações, como considera esses riscos na estratégia e de que forma monitora metas e desempenho. Em outras palavras: é preciso demonstrar onde o tema está na estrutura decisória da empresa.
  • O segundo pilar é a estratégia. Aqui, a empresa deve explicar quais riscos e oportunidades podem afetar suas perspectivas e como eles se conectam ao modelo de negócios, à cadeia de valor, à estratégia e à tomada de decisões. Também deve divulgar efeitos atuais e previstos na posição financeira, no desempenho financeiro e nos fluxos de caixa. Esse é um dos pontos mais desafiadores, pois exige sair da descrição genérica de temas ESG e avançar para uma análise sobre implicações financeiras concretas.
  • O terceiro pilar é a gestão de riscos. A empresa deve informar como identifica, avalia, prioriza e monitora riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade. Também deve demonstrar se esses processos estão integrados ao processo geral de gestão de riscos corporativos. Essa integração é essencial: riscos climáticos, regulatórios, reputacionais, tecnológicos, operacionais ou de cadeia de valor não deveriam ser tratados como uma lista paralela, mas como parte do perfil geral de risco da organização.
  • O quarto pilar reúne métricas e metas. As métricas permitem medir e monitorar desempenho em relação aos riscos e oportunidades identificados. As metas, quando existentes ou exigidas por lei ou regulamento, devem ser explicadas com clareza: escopo, período de aplicação, linha de base, metodologia, marcos intermediários, responsáveis, progresso e limitações. Na IFRS S2, isso inclui métricas intersetoriais relacionadas ao clima, como emissões de GEE, riscos físicos, riscos de transição, oportunidades climáticas, alocação de capital, preço interno de carbono e remuneração. (IFRS Foundation, 2023b).

Esses quatro pilares ajudam a transformar o relatório em uma narrativa coerente e, principalmente, em um sistema de gestão mais integrado. Mesmo para organizações que ainda não pretendem adotar formalmente as IFRS S1 e S2, estruturar essas informações pode fortalecer processos internos, a governança, a gestão de riscos e a transparência perante investidores, financiadores e outros stakeholders.

Importância da conectividade

A governança mostra quem supervisiona. A estratégia mostra por que o tema importa para o negócio. A gestão de riscos mostra como a empresa identifica e administra exposições. As métricas e metas mostram como o desempenho é acompanhado. Quando esses elementos estão desconectados, o relatório perde consistência e credibilidade.

Um exemplo simples: se a empresa informa que riscos climáticos são relevantes para sua operação, espera-se que o relatório mostre quem supervisiona esse risco, como ele afeta estratégia e planejamento, como é monitorado, quais métricas são utilizadas e quais ações estão em curso. Se há meta de redução de emissões, deve haver inventário, linha de base, metodologia, escopo e acompanhamento. Se há risco físico relevante, deve haver avaliação de exposição e medidas de adaptação ou resiliência.

Por isso, a preparação para as IFRS S1 e S2 deve ser pensada como uma jornada de fortalecimento da gestão e não apenas como um exercício de reporte. Construir uma lógica integrada entre governança, estratégia, riscos, métricas e metas tende a gerar informações mais consistentes para a tomada de decisão, além de facilitar futuras divulgações alinhadas às melhores práticas internacionais.

A pergunta prática talvez não seja apenas se a empresa está pronta para reportar, mas se esses quatro pilares já estão conectados de forma estruturada ou ainda permanecem dispersos entre documentos, áreas e planilhas.

Independentemente do momento regulatório, fortalecer esses quatro pilares pode trazer ganhos relevantes em governança, gestão de riscos e qualidade da informação.

Como está essa jornada na sua organização? Se quiser conversar sobre esta trilha, entre em contato conosco, clique aqui.

Referências

IFRS Foundation. IFRS S1 General Requirements for Disclosure of Sustainability-related Financial Information. 2023a. Disponível em: https://www.ifrs.org/issued-standards/ifrs-sustainability-standards-navigator/ifrs-s1-general-requirements/

IFRS Foundation. IFRS S2 Climate-related Disclosures. 2023b. Disponível em: https://www.ifrs.org/issued-standards/ifrs-sustainability-standards-navigator/ifrs-s2-climate-related-disclosures/ IFRS Foundation. Industry-based Guidance on Implementing IFRS S2 Climate-related Disclosures. 2023. Disponível em: https://www.ifrs.org/issued-standards/ifrs-sustainability-standards-navigator/ifrs-s2-climate-related-disclosures/